O que é esse blog?

Desde de 2004 (mais ou menos), esse pequeno cercado virtual reuniu coisas diversas: material de aulas, reflexões do cotidiano, arremedo de crônicas, desabafos, impressões.
Desde então o autor mudou muito. A frequência aqui é intermitente, conforme as coisas demandam a minha atenção. Achegue-se e troque ideias.. ou não, e apenas leia. Seja bem vindo...

outubro 25, 2018

Tempos tenebrosos

As universidades tem sido um dos pontos de resistência contra o arbitrio e espaço privilegiado para a discussão de ideias. Nessas eleições, mais do que em qualquer outra, essas funções da universidade tem sido fundamentais. Mas nem todos acham isso. Diversas universidades debateram e divulgaram um "manifesto" pelos princípios democráticos. Hoje (25/10/2018), fiquei sabendo que a Universidade Federal de São João Del-Rei foi notificada para retirar do ar o manifesto, que estava na sua página principal.
Decidi então copiar o mesmo e postar aqui, como forma de manter esse texto disponível nesse canto esquecido da web.


Nota da Universidade Federal de São João del-Rei a favor dos princípios democráticos e contra a violência nas eleições presidenciais de 2018


A poucos dias de uma das mais importantes eleições da curta experiência democrática brasileira, o momento é marcado, da parte de um dos candidatos à Presidência da República, por discursos de ódio e intolerância para com a diferença.
A escalada da violência física por apoiadores desse candidato é a consequência da escalada da violência simbólica representada por esse discurso e pelos parcos elementos apresentados em um plano de governo, no qual o acesso público à educação de qualidade será relegado a segundo plano, no qual direitos conquistados a muito custo serão cortados e políticas públicas de diminuição de desigualdades sociais serão extintas. Em curso, há um processo de ampliação da precariedade da condição humana.

A Universidade Federal de São João del-Rei reafirma seu compromisso com os princípios democráticos que, em nosso meio, se realizaram por meio da adoção do sistema de cotas de ingresso mesmo antes da aprovação de uma lei nacional e pelo fato de sermos uma das primeiras universidades a adotar o nome social como referência de identidade em nossa comunidade.

A violência que atinge hoje grupos minoritários de nossa sociedade - negros, índios, quilombolas, LGBTI+, pessoas com deficiência, mulheres - está se alastrando para grupos que sejam contrários à doutrina de um dos candidatos.

A própria universidade, ambiente necessariamente democrático, plural, de produção de conhecimento, arte e cultura tem sua própria existência ameaçada nesse contexto de violência e de desrespeito à democracia.

As ameaças às cortes superiores de justiça ferem o Estado Democrático de Direito e a defesa dos Direitos Humanos.

Por tais razões, convidamos a todos a refletir sobre o momento eleitoral e a não transigir com nenhuma ação que represente o rompimento com os princípios democráticos, em especial, aqueles que colocam em risco a dignidade, a liberdade e mesmo a integridade física de nossa comunidade.

Reitoria

outubro 03, 2018

Nota de leitura e ideias [não tão] obvias



Como costumo dizer: a questão é perceber o que querem que a gente saiba para justificar o que a gente vê o que fazem...

junho 02, 2018

Uma ideia, muitos olhares

A ideia de "trabalhos dispensáveis" aparecem em vários lugares. E é bom saber que ecoa por várias línguas... Grupo Kaos e afins devem estar com uma ponta de satisfação...
Mais algumas páginas para esse grande relatório sobre "manter ocupado os indíviduos para justificar-lhes alguns [ou muitos] trocados"...

abril 30, 2018

O trabalho enquanto valor é um obstáculo a ser superado


Chegamos numa encruzilhada dura de encarar: trabalhar pra viver ou viver para trabalhar, morrer de trabalhar ou trabalhar pra não morrer. Pode parecer tudo muito “jogo de palavras”, mas é um problema que devemos encarar e, parece, não tem solução fácil.
Não conseguimos pensar, pelo menos não de forma cotidiana, em um cenário no qual o trabalho não seja padrão na vida dos indivíduos. A condição de não trabalhar é automaticamente atribuído os adjetivos que a ligam a vagabundagem ou então assumimos tal condição como um momento de interstício, ou seja, são as férias, momento que se justifica justamente por causa do trabalho. Nossa lógica não concebe a possibilidade de um indivíduo prescindir do trabalho sem que isso faça dele ou um dândi ou um inútil para a sociedade (aqui já tem um conceito complicado de lidar: o de utilidade do que se faz).

março 06, 2018

Olhar migrante...

Num congresso, uma pesquisadora fala sobre como se constrói um imaginario negativo do migrante, deslocado por c onta da guerra ou de problemas socioeconômicos, com o uso de generalizações,  falseamento de dados, discursos de exclusão,  negação (do racismo ou da própria discriminação) ou "proteção" dos iguais.
Um artigo aponta que, ao invés de esclarecer, desmentir e reorientar opiniões, apresentar dados que questonam premissas embasadas no "eu acho"de alguém, ao invés de minimizar  discussões (em especial em redes sociais), apenas parece reforçar a "certeza" do indivíduo sobre sua "premissa".
Postagens me chegam aos borbotões sobre "a invasão terrorista ao Brasil", "o complo pelas politicas de recepção refugiados" etc... todas com exemplos que foram apontados pela pesquisadora e com dados refutados por diversas fontes "que escondem a verdade" sobre esse assunto segundo os "propagadores da verdade" do "depressibook"...
Tentar discutir não vale a pena. "Desamigar" não é uma opção (cairia na questão do tapar o sol com a peneira e migrar para um mundinho de não contrariedades). Em geral não me questionam sobre coisas que sabem o rumo da minha opinião (e que questionam as deles). Só me resta o desabafo solitário de uma página esquecida uma esfera abandonada (será? )...